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BERÇÁRIO (4 MESES  A 1 ANO)

         É preciso, ajudar a criança em seu processo de desenvolvimento considerando de acordo com Vygotsky, que a aprendizagem precede o desenvolvimento, despertando processos evolutivos que não poderiam ser efetivados de  outra maneira (Arribas,2004).
Ao partir desse pressuposto, fica explícito o papel do professor como mediador da aprendizagem. O qual entende - se que deve planejar considerando a zona de desenvolvimento real: o que o bebê já faz sem nenhuma intervenção; a zona de desenvolvimento potencial, ou seja, o que pode realizar com ajuda de um adulto ou de um parceiro mais experiente e a “zona de desenvolvimento proximal: situação ambiental criada pelo adulto ou por outras crianças que facilita a descoberta, a aprendizagem e, como conseqüência, o desenvolvimento cognitivo” (Arribas, p. 2004).
Neste sentido compreende-se que para o bebê tudo é motivo de descoberta; ouvir uma música, pegar, olhar, jogar, mexer em um objeto, movimentar um chocalho, ganhar um colo... Faz parte da aprendizagem. Por isso é tão importante conhecer o processo de desenvolvimento da criança e planejar com cuidado, considerando as zonas de desenvolvimento e as competências e habilidades que cada uma delas pode conquistar neste período.
De acordo com a teoria sociointeracionista não se espera que a criança se desenvolva para promover a aprendizagem, ao contrário, se propõe um conjunto de aprendizagens que promovem o desenvolvimento. Ao acompanhar o desenvolvimento da criança no berçário constata-se que cada conquista favorece outras possibilidades; por exemplo levantar  a cabeça,  permite que o bebê enxergue outros objetos, formas, seres... Por isso se planeja o ambiente com imagens, brinquedos, móbiles no berçário, sua função principal não é enfeitar, mas criar possibilidades de aprendizagens que promovam o desenvolvimento.
Sabe-se que quando o bebê chega ao Centro de Educação Infantil, aos quatro meses está descobrindo como levantar, virar e segurar a cabeça, aproveitando essa conquista, pode-se planejar intervenções estimulando o bebê a procurar de onde vem a voz, a música, determinado som, ruído...
Ao mesmo tempo a criança vai sendo estimulada a sentar, engatinhar, ficar em pé, equilibrar-se... é preciso  ficar claro, que se o bebê humano, não estiver mergulhado neste contexto cultural, mesmo tendo todo equipamento biológico, não desenvolveria a possível conquista de andar, falar, raciocinar...  Pois o “indivíduo se desenvolve movido por mecanismos de aprendizagem provocados por mediadores”, de acordo com (RABELLO, p. 2010).
         Quanto à aquisição da linguagem afirma – se que as fases neurais da linguagem não se restringem definitivamente ao momento do nascimento. O córtex cerebral é dotado de grande plasticidade funcional durante os primeiros anos de vida. A especialização do hemisfério esquerdo para a linguagem, mesmo que dependente de uma disposição pré-formada, só se estabelece progressivamente, graças às interações da criança com parceiros linguísticos de seu ambiente (Oliveira, 1991). Entende-se que quanto mais a criança conviver com pessoas que conversam, interagem com ela mais estimulada será a falar, adquirindo mais facilmente esta habilidade, pois quando se conversa, sorri, se põe significados em seus gestos, o bebê também “fala” pois responde com um sorriso, enrugando a testa, emitindo sons, ruídos...
         Estudos comprovam que as aprendizagens fazem o cérebro da criança crescer,  desta forma ouvir uma música, uma parlenda, uma canção de ninar, estimula a linguagem, bem como, as experiências sensoriais ao bebê que devem ser possibilitadas de forma que o estimulem a ver e cheirar, fazendo com que estabeleçam ligações no seu cérebro. Ao expor a criança a sensações diferentes, se estará aumentando a consciência que ele tem de si mesmo e do mundo que o rodeia. Estimular para que toque e sinta diferentes materiais, cheiros, alimentos, representam possibilidades de aprendizagem e desenvolvimento.
As primeiras impressões são visuais associadas às imagens. Perceptivas: táteis, gustativas, olfativas, sonoras afirma Vigotsky (1987), frente a esta consideração é imprescindível oferecer objetos, brinquedos, materiais para que possa pegar, explorar, examinar, “experimentar”. Mais ou menos aos cinco meses começa a perceber melhor não só os objetos que estão a sua volta, mas também pessoas e seus próprios limites corporais. Se esforça para tentar alcançar o pé ou explorar brinquedos em volta do berço, começando a ter contato com o meio ambiente.
Aos seis meses a criança já sorri para quem deseja e brinca com as pessoas,  vai descobrindo as possibilidades e limites do seu corpo,  como  rolar, passar objetos de  uma mão para outra,  apoiar o peso do corpo sobre as pernas, sentar com apoio das mãos, melhora a capacidade de seguir os objetos em movimento. A sua memória e grau de atenção vão aumentando.
Quando consegue sentar fica mais atenta a tudo o que está a sua volta, muitas conexões vão se estabelecendo e todas de algum modo refletirão, em seu comportamento. O choro já não é mais somente porque deseja satisfazer suas necessidades básicas, chora porque quer se comunicar, como indicar o desejo de determinado brinquedo, ou porque não quer ficar só.
         As próprias necessidades e a vontade de compreender, se apropriar e até mesmo, se fazer entender no mundo, motiva o pequeno ser a inventar, ordenar, descobrir ideias e atos a fim de resolver dificuldades e problemas que se apresentam.      Quando descobre que executada determinada ação, tem certo resultado, descobre o princípio de causa e efeito, por exemplo: passa a notar os sons de brinquedos quando chacoalha e que esse movimento é que produz o resultado esperado, descobriu esse princípio.  Além de encontrar objetos escondidos, explora tudo com as mãos, a boca e se esforça para alcançar objetos que estão ao seu alcance.
           Ao acompanhar o trabalho no berçário se percebe que o bebê em torno de oito meses até um ano, não pára nunca. Com a conquista da locomoção já pode se movimentar sozinho, engatinhar, ficar de pé por alguns instantes. Andar apoiando-se nos móveis e chegar a dar alguns passos sem apoio, até conseguir andar de forma independente.
         E quando a criança se locomove, pode partir em busca de coisas que deseja, pegar, apertar, produzir sons, chacoalhar, jogar, levar a boca, experimentar seu gosto, cheiro, oferecer, tirar, empurrar, enfim  um novo mundo de possibilidades se abre a sua frente...


MATERNAL I

Ao considerar que a criança aprende a partir da mais tenra idade, quando chega no maternal I, grupo de 1 a 2 anos, já viveu, compartilhou experiências, aprendeu muito sobre si mesmo e o outro, se apropriou de variadas conquistas, conhecimentos e informações a respeito do meio (pessoas, objetos, situações...) em que vive, pois “já nasce num mundo social e desde o nascimento, vai formando uma visão desse mundo através da interação com adultos ou crianças mais experientes.
         Então o que propor para este grupo de 1 a 2 anos? Como aprendem? Quais as principais conquistas do grupo? Quais competências e habilidades podem se desenvolver?  Partindo de uma concepção sociointeracionista, a qual defende uma postura de intervenção considerando as zonas de desenvolvimento real, potencial e proximal. O planejamento inicia a partir do conhecimento real, ou seja, o que o aprendiz é capaz de realizar sozinho, para planejar situações de aprendizagem que permitam o desenvolvimento proximal.
         Ao se considerar a zona de desenvolvimento real neste grupo, quando a criança chega no Maternal I,  a capacidade de andar já foi conquistada e o pequenino vai desenvolver a segurança e o aperfeiçoamento desta competência com movimentos muito mais controlados, ganhando maior habilidade para começar a   subir e descer de onde puder.
Quando esta habilidade já foi desenvolvida, a função do professor é promover situações novas que promovam a aprendizagem para desenvolver novas habilidades como correr, pular, saltar, empurrar ou puxar objetos, que podem ser organizados até mesmo com material alternativo, criando situações convidativas ao desenvolvimento destas capacidades.
Avaliar o que a criança realiza sem ajuda, para propor desafios que estejam ao seu alcance é o objetivo da mediação, por exemplo, a medida que ganha possibilidade de exercitar o desenvolvimento da motricidade fina deve ser estimulada para desenvolver a sua capacidade de segurar um objeto, manipulá-lo, passá-lo de uma mão para a outra e soltá-lo intencionalmente.
Entende-se que à medida que ocorrem situações de intervenção na zona de desenvolvimento potencial, por parceiros mais experientes que pode ser o professor ou outras crianças, possibilita conquistas na zona de desenvolvimento proximal, pois tudo o que ela faz com intervenção hoje, será competente para cumprir de forma independente posteriormente. Citando ainda outro exemplo de habilidade a ser conquistada por este grupo, é o de transportar objetos na mão enquanto caminha e utilizar os talheres, que vê, observa, pais, professores e colegas utilizando com destreza. Vygotsky atribui importância fundamental na linguagem, pois além da função comunicativa, ela é essencial no processo de transição do interpessoal em intramental; na formação do pensamento e da consciência; na organização e planejamento da ação; na regulação do comportamento e, em todas as demais funções psíquicas superiores do sujeito, como vontade, memória e atenção. (SAVEYEGH, p. 2010). 
A conquista da linguagem representa um marco na vida da criança, porque é um dos principais instrumentos de ação e de práticas sociais formadora do mundo cultural, pois traz em si a construção e a expressão do conhecimento, os valores e as normas de conduta que norteiam a vida do indivíduo em sociedade. Através desse sistema simbólico, podemos julgar defender, condenar, ocultar, argumentar, enfim, expressar ideias e sentimentos.
Desta forma, a linguagem é vista como fundamental nas relações de troca, na interação e na organização do pensamento.   Não se pode precisar exatamente a idade que cada criança começa a falar, no entanto, aproximadamente no final do primeiro ano, consegue reconhecer os nomes das pessoas e objetos que fazem parte do cotidiano, além de partes do corpo. Começa a emitir os primeiros sinais como: “mama”, “papa”. Para que tenha possibilidades de enriquecer seu processo de desenvolvimento da fala, a criança precisa conviver em um mundo onde todos falam com ela.
         Através de propostas desenvolvidas diariamente e com a memória mais desenvolvida o pequeno do maternal I, já antecipa muito mais o acontecimento da sua rotina diária desenvolve um entendimento das sequências de acontecimentos que fazem parte do seu cotidiano. Já demonstrando capacidade para retomar uma atividade momentaneamente interrompida, em que seu tempo de dedicação a uma atividade aumenta, porque já possui um tempo maior de concentração.
            À medida que seus gestos vão sendo interpretados, sua linguagem se ampliando, compreende ordens simples. No início, acompanhadas de gestos, como buscar ou entregar para professora um objeto conhecido. Tem maior curiosidade e  sente prazer em explorar o que o pode pegar e a  medida que vai sendo oferecido possibilidades de interagir com o meio, vai desenvolvendo as capacidades cognitivas de compreender e estabelecer relações . Por exemplo, a xícara serve para tomar, a colher para comer, a chave do carro vai ser utilizada no carro para sair de casa... Vê-se isso na hora em que brincam.
Para Vygotsky, sociointeracionista, a ação da criança é também fundamental para o seu desenvolvimento, pois a criança internaliza, se apropria, ressignifica o seu meio a através da interação social. 
     Demonstra que está iniciando um processo de recordar uma sequência de acontecimentos, quando começa a brincar com os jogos simbólicos, vivendo situações  do mundo adulto, o qual possibilita a mediação entre o real e o imaginário. Acompanhar as crianças repetindo o que os adultos ou companheiros mais experientes realizam, fornece elementos para o professor organizar propostas mais complexas, propondo novos desafios.


MATERNAL II – A

Cada criança é única no seu processo de aquisição de competências e habilidades, por isso respeitar o ritmo de cada uma delas, é fundamental. Quando se pensa no grupo, entende – se que a maioria já se apropriou de determinadas conquistas ou que determinadas habilidades se encontraram na zona de desenvolvimento proximal, no entanto isso não é regra e precisa ser levado em conta para planejar também neste grupo de Maternal II – A, em as crianças já completaram 2 anos.
         Para planejar, de acordo com o que postula Vygotsky, não se pode esperar que a criança se desenvolva para propor situações de aprendizagens, ao contrário, se propõe uma série de aprendizagens que conduzem ao desenvolvimento.
         Ao considerar o movimento como uma necessidade fundamental dos pequenos, o cotidiano na educação infantil deve incorporar a expressividade própria das crianças compreendendo que “um grupo disciplinado não é aquele em que todos se mantêm quietos e calados, mas sim mobilizados pelas atividades propostas, como brincadeiras, deslocamento, conversas”. É fundamental ter este entendimento para compreender a criança que fala, se expressa, descobre possibilidades através do seu corpo que não pára nunca.
         Pensando em desafios, como o equilíbrio e a coordenação aumentaram, devem ser oferecidas propostas para que sejam desenvolvidas outras habilidades como saltar de um pé para outro, carregar objetos sem perder o equilíbrio, correr, andar de diferentes formas, subir e descer, arrastar-se, pendurar-se, chutar bola... 
Quanto à linguagem a criança começa a responder a perguntas verbalmente e a estabelecer pequenos diálogos. Aqui a capacidade de se comunicar deve ser explorada ao máximo, mesmo que ainda utilize muitos gestos e invente palavras para denominar coisas e objetos que fazem parte do seu dia - a - dia, pois ainda é um exercício para aperfeiçoamento da linguagem... 
Para Vygotsky, pensamento e linguagem são processos interdependentes, desde o início da vida. A aquisição da linguagem pela criança modifica suas funções mentais superiores: ela dá uma forma definida ao pensamento, possibilita o aparecimento da imaginação, o uso da memória e o planejamento da ação. Neste sentido, a linguagem, sistematiza a experiência direta das crianças e por isso adquire uma função central no desenvolvimento cognitivo, reorganizando os processos que nele estão em andamento. Gonçalves.
          À medida que sua linguagem vai se desenvolvendo a criança começa a responder perguntas, estabelecer pequenos diálogos, construir frases... É importante que vá tendo oportunidade para conversar, dar sua opinião, com seus pares e adultos. Conforme suas competências vão aumentando, percebe-se inclusive a utilização de frases negativas e interrogativas, a utilização de verbos e pronomes. De acordo com suas possibilidades de aprendizagem vai se desenvolvendo e adquire a consciência de si mesma, começando a referir-se a si própria como "eu".
         É importante compreender o que representa a linguagem, pois é esta capacidade humana, que permite ao homem a sua manifestação, capacitando o indivíduo a comunicar ideias, sentimentos, intenções... Permitindo organizar o pensamento. A fala possibilita outras formas de linguagem como a literatura, a música, a dança, o teatro...
A criança progressivamente vai sendo capaz de compreender conceitos como dentro e fora, em cima e embaixo, sequências numéricas simples e de diferentes categorias. Aproximadamente aos três anos de idade já entende o conceito da escrita estabelecendo relações entre as palavras de um livro e a história. Ou seja, sabe que aquela escrita, conta a história. O processo de aprendizagem está mais ligado ao raciocínio; pois começa a formar imagens mentais dos objetos, ações, atitudes e conceitos.
 “Outro aspecto da dimensão expressiva do ato motor é o desenvolvimento dos gestos simbólicos, tanto aqueles ligados ao faz-de-conta quanto aos que possuem uma função indicativa: apontar, dar tchau e através de gestos ninar, balançar uma boneca”. Percebe-se o desenvolvimento desta habilidade no faz - de - conta, como fingir que está dirigindo um carro, alimentar uma boneca, beber café, nota-se que a criança lembra toda a seqüência, como derramar o café na xícara , adoçar e beber ou fazendo de conta que esta se alimentando, coloca a comida no prato, pega a colher e leva até a boca.
Vygotsky (1994). Concebe o homem um ser que pensa, raciocina, deduz e abstrai, mas também como alguém que sente, se emociona, deseja, imagina e se sensibiliza. Vygotsky não separa o intelecto do afeto, porque busca uma abordagem abrangente que seja capaz de entender o sujeito como uma totalidade.


MATERNAL II – B

          “As crianças engajam-se, desde o primeiro momento, em um processo de comunicação no qual são estimuladas a desenvolver procedimentos que lhes permitem questionar o mundo e apropriar-se dele. Desde cedo o entorno humano empreende uma diligência ativa de integração e apropriação.” Neste grupo de 3 a 4 anos,  com maior apropriação da linguagem, no sentido de compreensão e de se fazer entender com palavras, com  um discurso  mais compreensível, a fala está presente em todos os momentos do dia.  Nas situações de aprendizagem direcionada ou em situações de rotina como alimentação, sono, troca de roupas... E é exatamente assim que deve ser. É importante que a criança seja ouvida, tenha oportunidade de falar, contando fatos, fantasias, compartilhando alegrias e tristezas, participar de decisões, dar sua opinião, enfim  que possa ouvir e ser ouvida.
 Além das situações informais que se apresentam para desenvolvimento da linguagem oral, muitas podem ser planejadas para que a criança possa participar como levar ou transmitir um recado, contar para outra turma como foi um passeio, uma brincadeira, uma atividade... Bem como em situações reais de comunicação escrita.
Com a descoberta da função da escrita, sua grande curiosidade é saber o que está grafado, para isso muitas vezes levanta hipóteses sobre o que pode estar escrito.  Ela também pede para que se leia placas, rótulos, histórias e fica encantada pelas letras. Aproveitando essa fascinação é importante criar situações para que hipotetizem em variadas superfícies a escrita, como calçada, areia, azulejos...  Aos poucos, vai conhecendo o alfabeto e pode reconhecer as letras de seu nome. Pesquisas comprovam que as crianças que vivem em um ambiente em que se faz uso frequente da escrita e da leitura as crianças se apropriam desta linguagem com muito mais facilidade.
         De acordo com Gonçalves uma criança de aproximadamente, três anos de idade escreve o nome da mãe ou do pai, praticando a Escrita Indecifrável, ou seja, se o pai é alto, ela faz um risco grande, se a mãe é baixa, ela risca algo pequeno. Aproximadamente aos 4 anos de idade, a criança entra numa nova fase, a Escrita Pré-silábica, que pode ser Unigráfica: semelhante ao desenho anterior, mas mais bem elaborado; Letras Inventadas: não é possível ser entendido, porque não pertence a nenhum sistema de signo; Letras Convencionais: jogadas aleatoriamente sem obedecer a nenhuma seqüência lógica de escrita.
         Brincar é uma atividade que passa de geração em geração, além de ser uma necessidade da criança. Por isso brincadeiras e brinquedos, fazem parte da educação infantil, com objetivo de suprir uma necessidade e ao mesmo tempo, estimular o movimento como correr, saltar, subir escadas, andar de triciclo, girar, escorregar, cair e levantar... O movimento é uma dimensão do desenvolvimento e da cultura humana. “A criança movimenta-se desde que nasce e cada vez mais adquire o controle do seu corpo possibilitando assim uma interação com o mundo. Movimentar-se não é somente deslocar-se com o corpo, mas uma maneira de expressar sentimentos, emoções e pensamentos. Portanto se mexer, pedalar, puxar carrinhos, jogar bola, escorregar-se, é fundamental. Além de desenvolver diversas habilidades como senso de direção, espaço, controle e força.
“Desde o nascimento, graças à maturação do sistema nervoso e a realização de tarefas variadas com diferentes parceiros em situações cotidianas a criança desenvolve seu corpo e os movimentos que com ele pode realizar. Os mecanismos que usa para orientar o tronco e as mãos em relação a um estímulo visual, por exemplo, são complexos e acionados a medida que ela manipula e encaixa objetos, lança-os longe e os recupera, os empurra e puxa, prende e solta”.
         “A motricidade também se desenvolve por meio da manipulação de objetos de diferentes formas, cores, volumes, pesos e texturas. Ao alterar sua colocação postural conforme lida com esses objetos, variando as superfícies de contato com eles, a criança trabalha diversos segmentos corporais com contrações musculares de diferentes intensidades.”. De esta forma propor à criança montar e desmontar brinquedos mais complicados, blocos de tamanhos e formas diferentes, jogos e quebra-cabeças simples e grandes, são importantes nessa fase para estimular algumas habilidades psicomotoras, como a coordenação entre o olho e a mão e o desenvolvimento da habilidade dos dedos e das mãos, sendo fundamental a intervenção do professor, ou a ajuda  de um colega mais experiente,  pois segundo Vygotsky as interações são as alavancas processo educativo.
Nas atividades do dia a dia, embora ainda não seja capaz de abotoar botões menores, fechar zíper, deve ser incentivada para vestir-se e  comer sozinha com uma colher ou um garfo, com objetivo de desenvolver a autonomia.
Sua linguagem e nível de compreensão estão mais desenvolvidos e pode compreender o conceito de "dois, três”; Já entende a maior parte do que ouve e o seu discurso é compreensível para os adultos. Sabe dizer o nome, o sexo e a idade; Começa a ter noção das relações de causa-efeito e seu pensamento também está mais lógico.
         Quando brinca tudo se transforma, tristezas, alegrias, tamanhos, medos... a criança utiliza os jogos simbólicos, para desenvolver sua imaginação, resolver conflitos internos, experimentar diferentes papéis, exercitando sua linguagem, aqui entra a intervenção do professor para organizar os espaços, tempos e  materiais para o  brincar. Com três ou quatro anos, usar fantasias, fingir, ser outra pessoa é uma atividade fascinante para as crianças Nesta fase, os jogos de faz - de - conta são os preferidos da turma. Propor teatrinhos, fantoches, jogos de dramatização e simulação, criando oportunidade para a criança usar sua criatividade para representar personagens, é essencial.
         As garotinhas adoram cozinhar, lavar, tirar o pó de casinha e fingir que são mamães. Os meninos lutam, abatem monstros, virão super-heróis, combatendo o mal. Quando o professor entra na imaginação deles, pode atuar na zona de desenvolvimento proximal, oportunizando às crianças assumir papéis, tomar atitudes, encontrar respostas, se tornando muito maiores no seu tamanho. De acordo com Vygotsky (1984), a brincadeira cria para as crianças uma “zona de desenvolvimento proximal que não é outra coisa senão a distância entre o nível atual de desenvolvimento, determinado pela capacidade de resolver independentemente um problema, e o nível atual de desenvolvimento potencial, determinado através da resolução de um problema sob a orientação de um adulto ou com a colaboração de um companheiro mais capaz.
         No processo de aprendizagem o uso do corpo sempre está presente. Do começo até o fim deste processo usa-se o corpo para aprender e através dele que se percebe o mundo, interioriza-se os objetos, constrói-se e estabelecem-se relações, cria-se uma visão de mundo, através do qual que se pode ler e significar o mundo. E através desta leitura vai-se guardando experiências, sensações e elas passam a ter um significado, assim, com o correr do tempo, cria-se uma memória corporal. As experiências que vive fica registrada no nosso corpo. E com o passar do tempo novas relações serão estabelecidas e novas aprendizagens construídas.”
         Propor a participação de criança na horta, a preparação de uma receita, oferecer massinhas para modelar, tintas para pintar o corpo, tomar banho de esguicho, são exemplos de propostas, que fascinam a criança, porque por meio do corpo que a criança vai elaborando, se apropriando, construindo significados, sobre o mundo que a rodeia No processo de desenvolvimento, de aprendizagem da criança, ela utiliza o corpo, que está sempre presente.